
Não sei se algum dia alguém se deparou com o simbolismo de um Farol.
Ou pelo menos alguém reparou que ultimamente tenho utilizado no messenger esta precisa imagem?! Não, claro que não! Nunca ninguém questionou-me sobre isso. Não a coloquei lá só porque me apeteceu. É óbvio que tem uma razão de ser.
Como monumento ou infraestrutura, o Farol tem desde sempre guiado os nossos navios até terra firme, avisando antes demais a proximidade de cabos que entram por mar a dentro ou simples pedaços de terra rodeados por mar. Estas funções do Farol para a Geografia seriam boas e bastavam, mas não, pelo menos para mim. O Farol é muito mais que isto. Não apenas uma construção habitualmente redonda e cónica, alta e imponente, sinalizada com faixas largas de vermelho e brancas intercaladas, que projecta em movimentos rotativos e contínuos um ou mais focos de luz capaz de cegar momentaneamente. Mas também transmite uma cumplicidade com uma das naturezas mais indomáveis que o Homem conhece: o Mar.
Sim, esta relação entre o Farol e o Mar inspira cantores, escritores e poetas, entre outros, incluindo a mim. O Farol representa sempre o limiar do desconhecido, do medo, do perigo. O que se vê na linha de água (horizonte) é apenas o começo de um meio hostil onde, outrora, muitas das nossas famílias perderam os seus maridos e filhos, aliás, possuímos uma História rica nesses acontecimentos, tal como ainda hoje isso acontece.
Mas isso aconteceu ou acontece por causa da vontade insaciável de tentar domar o que sempre será selvagem e sem lei. A aventura e a destemida vontade em busca do desconhecido faz do Homem um ser persistente, senão mesmo teimoso, ao encontro das suas glórias.
O que realmente esta imagem representa para mim é um olhar para o desconhecido, quem sabe para o futuro, que se torna num desafio aliciante embora desconheça os seus perigos e riscos, prevendo sempre grande turbulência, e como a glória será quase como imediata, caso se for bem sucedido. No entanto, essa linha de água teima a estar longe, quase inalcançável. O primeiro passo parece que é sempre aquele fica mais longe. É como estivesse ali uma película transparente ou um vidro facilmente quebrável, mas que teima não ceder. Tão acessível mas inalcançável. Ao menos tenho a esperança do Farol para ter uma vista iluminada e panorâmica do que me espera.
Esta imagem tem um valor acrescido a este, uma vez que a fui buscar a um álbum que remonta-me para a altura do meu 12º ano, remexendo assim em algumas lembranças. Lembranças essas que foram conturbadas mas também fortemente vividas.
Sem comentários:
Enviar um comentário